14 de nov de 2010

O casamento da Princesa

Celso Sisto é escritor, ilustrador, ator, tem mais de 30 livros publicados e ainda divulga a literatura como contador de histórias, ministrando cursos, palestras, enfim, respirando literatura.

Em seu novo livro, Celso nos presenteia com uma belíssima adaptação de um conto popular originário da África Ocidental. O casamento da princesa é uma história repleta de simbologia e significados. História essa similar as que eram contadas pelos mais velhos aos mais novos. Lendas passadas de geração a geração.
Abena, a mais bela princesa da África Tropical, está finalmente apta a se casar. Com o passar dos anos, sua beleza só se fez aumentar, despertando a ternura e paixão de quem a rodeia. A notícia da singela graça da moça percorre todo o continente e logo surgem vários pretendentes. Os primeiros a disputar a mão da princesa são dois concorrentes de peso: o Fogo e a Chuva.
A Chuva, delicadamente, promete à princesa toda a vitalidade que a água proporciona: crescimento de plantações, multiplicação das colheitas… “Graças a mim, teremos sempre água pura para beber e rios cristalinos, cheinhos de peixes, onde se pode nadar e pescar” – foi a sua oferta. Diante de palavras tão musicais, a solitária Abena aceita a proposta da chuva, sem ter o conhecimento do que acontecia naquele exato instante.
O Fogo, consciente de seu poder, discursa para o pai de Abena: “Minhas chamas mantém os animais perigosos ao longe, cozinham a comida diariamente, iluminam as intermináveis noites escuras e aquecem o corpo durante o frio” – palavras fortes o suficiente para impressionar o Rei que, deslumbrado, cede a mão de sua filha.
Apaixonada pela Chuva, mas prometida para o Fogo, a princesa Abena cai em profunda tristeza e, para não ver a beleza de sua filha desaparecer, o Rei tem uma ideia. Uma disputa entre a Chuva e o Fogo encerraria o impasse. O vencedor do duelo teria a mão da princesa. A notícia sobre o maior embate já ocorrido corre pela África toda e todos (principalmente Abena) estão ansiosos para saber qual será o resultado final.
É neste tom de fábula que o autor Celso Sisto resgata a magia por trás dos contos africanos. Os guaches da ilustradora Simone Matias ajudam a dar forma aos tons quentes da África Tropical onde a obra é retratada: “Fiz pesquisas sobre o povo ashanti: vestuário, tambores, joias, trono do rei, estandartes”, diz.
Com uma história repleta de simbologia e significados, O casamento da princesa adapta para as gerações atuais a oralidade da cultura africana, repleta de deuses e mistérios, tornando-a desta forma, atemporal.

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